30.6.05

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Aproveito o post e anuncio que hoje no Jofre Soares - SESC Centro - 20h...

Nelson da Rabeca

29.6.05

A Morte da Poesia

Então a poesia se fez bonita
E saiu para passear ao lado da morte
Vestiu-se toda de preto
Como num casamento fúnebre
Com direito a véu, chapéu e grinalda
Não derramou um gota de lágrima
Mas se fez chorar nos ausentes

Pois que ela sorriu e partiu
Como num desfecho trágico
De um filme de ação
Lá se foi a poesia toda engraçada
Pele branca quase rosada
Com rebolado de dama de salão
E nunca mais passou por aqui
Visitando apenas os sonhos
De uns poucos alguns
Que insistem em escrever
Uns tais versinhos

Brincar de Chorar
(nome provisório)

Pareço ser muito forte
Muito seguro
Às vezes até duro
Porém a lágrima me trai
E ocupa o que deveria
Ser concreto
Expõe
Me desnuda
E eu choro

Às vezes choro
Por ser assim forte
E me traio em lágrima
Por ser seguro e duro
Desnudo, concreto
Pois deveria ser
Eu a lágrima que choro

Beto Brito e
Artur Finizola

26.6.05

Por um Ébrio Desejo de Você Sóbria

Você resolveu aparecer
Tão linda mingüante
Ainda não pela metade
Como de um desejo meu
Quase conselheira, adivinha

Agora a pouco
Não te via iluminando o mar
Numa reflexão de paz
Em conjunto com essa
Pouco mais que brisa noturna

Realmente eu precisava te ver
Para que com a tua luz
Acendesse esse mais um cigarro

E os carros
Como por respeito
Passam silenciosos lá atrás

Fezendo-me esquecer
O quão agora a pouco
Encontrava-me triste

Mas por sorte
Hoje eu tenho
Ela e você

À sua imagem e semelhança

Porque você me trata assim?
Quando eu só quero jogar minha pelada
Quando eu só quero tocar com minha banda
Quando eu não lembro mais de nada
Você faz questão

Deixa eu ficar trancado dentro do nada
Deixa eu ficar calado no barulho surdo do nada
E aqui do nada tudo é lindo e tranqüilo
E aqui do nada tudo é tão bonito

Porque você me fez assim
À sua imagem e semelhança?

E nesse teatro que outrora se chamava vida

E nesse teatro que outrora se chamava vida
Existia um deus mais poderoso que vocês
E da tragédia então se fez uma careta
E um sorriso da comédia que é viver

E esse que vos agora grita
Foi conhecido como apenas um compositor

23.6.05

Desenhos para serem colocados em cartão postal (ou calendário)

1) Desenho de Calabar: Quem antecedeu os Marechais foi Zumbi e antes dele, Calabar. Viva a subversão e a liberdade.
2) Um desenho sobre a quadra dos terreiros: Saudades daquele tempo. Antes do quebra o batuque era bem maior..
3) Além de toda ancestralidade. O erotismo do coco (...)
4) (...) os cantadores de coco, de toadas, de forró, das rodas de samba, os repentistas, (...)
5) Desenhos sobre os cantadores de coco, fumadores de liamba, rodas de samba, os capoeiras, os mandingueiros, etc.: Ali naqueles espaços embrenhados dançava-se macumba, fumava-se liamba, cantava-se o coco e se recriava um mundo: o mundo alagoano.
6) Desenho do Bispo Sardinha sendo comido: (...) e já que comemos o Bispo Sardinha, (...)
7) Foto (ou desenho) do caranguejo Uca.
8) Desenho de Zumbi dos Palmares: Calabar é nosso e, sobretudo Zumbi dos Palmares: (...)
9) (...) a Praça 13 de Maio deveria ficar na Praça dos Martírios e a estatua do negro Zumbi no lugar do Marechal.
10) Somos ainda a derradeira sobrevivência (isto é fantástico) do extermínio do povo Caeté.
11) Os mirantes são os nossos planetários..
12) Nas lagoas apenas navegam os peixes, os homens e os mariscos (...): Colocar um desenho de canoas e pescadores e peixes e pássaros voando.

por Edson Bezerra (Bananola)

21.6.05

Nasci da Fogueira de um São João

Particularmente, adoro o número 21. Não tinha melhor dia para inventar de ter nascido, acho até que esperei alguns dias, só para ser o canceriano que sou... assim sem lar... logo do primeiro dia.

Nasci da fogueira de um São João e relembrando nos retratos guardados da infância, lá estão os bolos com desenhos de balões, fogueiras com madeiras de chocolate, chapéu de palha na cabeça e bigode com costeleta pintados no rosto.

Sim, nasci da fogueira de um São João. No meio dos rojões e das comidas típicas, estas sim eu ainda não aprendi a gostar. No meio de uma camisa de botão quadriculada, fazendo pose de homem para o flash do "olha o passarinho", com toda a pivetada a estourar balões e estralos bebés.

Foi, nasci da fogueira de um São João. De um anarriê gostoso, cantado com gosto nas quadrilhas e brincadeiras juninas. No meio de um inverno frio e chuvoso, logo no dia 1 da estação.

Nasci da fogueira de um São João. No samba enrendo do meu samba enredo. Do forró harmonizado pelo agudo do triângulo, zabumbado no compasso de um bom sanfoneiro. No coco de roda e de todos os outros folguedos.

Nasci da fogueira de um São João. Alagoano que sou. Capoeirista que sou. Nasci da malandragem de um velho preto mandingueiro, vestido de branco e com navalha escondida na sola do sapato bem ajustado. Da força de Zumbi dos Palmares, o maior herói brasileiro.

Nasci da fogueira de um São João. É fato. Incotestável como os abraços daquela que, hoje, faz-me feliz.

19.6.05

O Moço da Cidade

Zé!
Tem sangue no mato Zé
Sangue taiado
Iguar das perxera
Do fi de cumpádi Luizinho

Deve de ter sido
Briga das boa Zé
Daquelas de fazê
Jegue corrê dum coice só

Sabe purque?
Pur mó de que
Iá Ciciliana
Andou de chamego
Cheia de atrito
Cum o vizinho
De Mané Tião

Sabe quem é não?
Aquele moço da cidade
Garoto novo
Bem vestido
Que anda num carro forçante
Que diz que cheio de cavalo dentu

Foi sim Zé
Mas pode cunfiar
Pode que eu vi
Eu num gosto não dessas coisa não
Mas que eu vi, eu vi
Eu juro

Deve de ter sido por mó de dinhêro né?
Muié é todas igual
Num pode ver moço de fora
Mas agora...
Agora nem adianta mais
O moço sumiu...
Deve de tá é fugido
Ou morrido de morte matada

Óia Zé
Mió tu calá teu bico
Fica só entre nós dois, né não?
Esse negócio de tá espaiando
Pode dá causo sério

Óia
Eu nem quero sabê dessas história
Num fica me falando dessas coisas não Zé...

Pronto Carol, feita exclusivamente após ter lido seu comentário na poesia anterior.

16.6.05

Referência ao Arcanjo

Amanhã
Tem um sorriso
Guardado só para mim

Um coraçãozinho
Que bate acelerado
Em ritmos compassados
Guardado só para mim

Uma boquinha
De lábios apertados
Com gosto de chiclete mascado
Guardado só para mim

8.6.05

Relógio Biológico Abatido

Deitar para dormir, após ler um pouco sobre a história dos negros e da capoeira...
Mas o danado do sono não vem e preciso muito estar ativo amanhã, preciso estudar matemática discreta...

Deitar para dormir..
E mil pensamentos vem na mente...
Algumas conversas com você...
Preciso falar para o Tainan que finalmente usei seus versos e de forma bem empregada naquele teu samba...

Deitar para dormir...
E algumas idéias para aquele tal novo projeto lá...

Deitar para dormir...
Então fumo um cigarro olhando o mar daqui da varanda e lembro de meu amigo Gordo (5) o qual amo tanto...
E lá se vem mais idéias...
E lá vem novamente você... que bom...

Deitar para dormir...
Eis que escrevo e tentarei novamente...

6.6.05

Crítica às Críticas...

Este texto é direcionado diretamente à repórter Chris Duarte, referente ao artigo de 28 de maio de 2005 sobre a coletânea Quintal no Caderno Dois de "O Jornal".

Bem, inicio pedindo um humilde obrigado por destacar a música Maré Tchau como a mais interessante do disco, mas confesso que fiquei um pouco triste com a matéria pelas referências feitas a algumas bandas e suas supostas influências. Creio que teria sido mais proveitoso se tivesse ocorrido uma entrevista com as bandas para saber suas verdadeiras raízes e de onde elas se inspiram.

Minha tristeza também vem da parte de o Mangue Beat ter sido tão ressaltado em um artigo sobre bandas locais que buscam na cultura local suas "inquietações musicais" e aí sim pode ser ver um pouco de influência com o movimento pernambucano, movimento este que abraçou artistas locais, como a antiga Living in the Shit, que apesar de ser alagoana era vista pelos próprios "Caranguejos com Cérebro" com do Mangue.Influência está que estar em pegar a cultura local e publicar em forma de música, exatamente como eles fizeram, enraizar-se na cidade em que se vive.

Acredito também que a analogia feita com minha voz e a de Science é errônea, principalmente na faixa Na Roda, as duas vozes têm características diferentes e muito fortes. Nossas influências nunca foram de Chico, sempre tomamos esse cuidado, para não ouvirmos (ou lermos) coisas deste tipo. Confesso agora que realmente possuo bastante influência de Mundo Livre S/A, banda a qual sempre achei melhor do que Chico Science e Nação Zumbi, a qual se encontra o verdadeiro idealizador do movimento citado pela senhora (que deveria saber disso).

Sobre o assunto de que misturar rock com regional começar com o "bendito" Mangue, acarreta em mais um erro na matéria, pois isso jáse fazia e deixo como exemplo as primeiras obras desde o Tropicalismo, de maneira bem menos acentuada e até pelo próprio rock'n'roll maluco beleza, Raul Seixas. Chico e cia. apenas caíram nos olhos da mídia e público sobre outro prisma. Eles não foram os primeiros e nós não seremos os últimos. Isso de se misturar culturas foi usado pelo próprio Oswald Andrade e sua turma antropofágica.

Dizer que a Dharma têm influências dos "barbudinhos" foi um outro errinho básico, já que a banda que realmente tem isso é a 32Dentes (ao meu ver). E na afirmação de que a Poeira Nordestina tem influência do Mestre Ambrósio (com M maiúsculo e não minúsculo), que de mestre não tem nada, pois o nome é de um grupo musical, acarreta na soma de mais um, nestes mesmo erros, pois a Poeira Nordestina sim, é a banda mais alagoana que já conheci.

Voltando agora a faixa de Maré Tchau, é uma pena não ter tido uma citação sobre a rabeca de nosso integrante Adelmo, pupilo do grande mestre Nelson da Rabeca e não vi a necessidade de afirmar que brincar com as palavras não é inovador, já que isto é uma coisa tão clara e acontece desde que existe a escrita, desde que existem os poetas.

Peço desculpas por minha sinceridade e espero que a senhora procure ir a alguns shows destas bandas, pois duas faixas não mostram a verdadeira cara dos grupos e na realidade, este é o intuito da coletânea, divulgar as bandas abrindo caminhos ao público.


Por fim, deixo um link de um antigo artigo do vocalista da banda Dr. Charada sobre jornalismo...

Os Cinco Mandamentos Básicos do Bom Jornalista Cul

E termino com a famosa frase: "Na natureza, nada se cria, nada se perde, tudo se transforma". Não estamos aqui para inovar. Esperava não ver tanta negatividade em nosso projeto numa matéria de jornal na seção cultural do mesmo.

5.6.05

Versal

Eu sou o verso
Que te encalça as entranhas
Alagoano como
O universo estranho
Chamado transverso

Eu sou o verso
Que te enlaça em encalço
Descalço e melado de lama
Nas chuvas de junho
Da fogueira em que nasci

Eu sou transversal
Por verso universal

Dos Tiros nas calçadas alagoanas
Dos choros
Nos corpos das crianças
Na verdade do sangue
Na dor pura da fome

Eu sou do verso antropofágico
Eu sou o mago
Na raíz do samba
O coco de roda
E a poeira nordestina

Eu sou o feto
No ventre da grande bola
O último dia do rio
No sopro dos pífanos
Da rabeca e das cordas
Do grande mestre
Chamado Nelson

Eu sou versos soltos
Apenas por ter espírito alagoano

Eu sou as meninas do pastoril
Sou de Caçuá
Pois sou Brasil

Eu sou o Duo
Eu sou Manola

Eu sou a Santa Dica
No rasta fumaçado
Nas vibrações de paz

Eu sou o bem e o mal
Tupi or not Tupi
Eu sou versal

1.6.05

Filosofia Matemática
("Variáveis", "Zeros" e "Uns")

1
-----
0/x=0
x/0=?
0/0=?

Pode-se dividir nada, com alguém,
Mesmo que ninguém fique com nada.
Porém, não se pode dividir algo com ninguém.
Pois não se tem com quem dividir.
Talvez se pudesse dividir nada com ninguém,
Mas não se pode. Ou não se deve.
Pois ninguém é ninguém
E mesmo assim não ficará com nada.


2
-----
1 = Xy/ Xy = 1/1 = 1
1 = Xy/ Xy = Xy - y = X0 = 1

01 = 0 e 10= 1
11 = 1, então 00 = 0?

Mas se algo
Multiplicado por ele mesmo
Nenhuma vez
É "Um"
Ou seja, único

E diferente deste mesmo algo
Se este for diferente de "Um"
Pois que se igual a "Um"
Igual a algo,
O que seria algo
Se algo fosse nada?
Ou seja, não fosse.